Turismo criativo aproxima cultura e território
26 de Agosto, 2026
A valorização da participação, dos saberes locais e da experiência cultural abre novas possibilidades para a relação entre visitantes, comunidades e territórios.
COIMBRA — Mais do que observar um território, o turismo criativo propõe vivê-lo. Através da participação em atividades culturais, da aprendizagem de práticas locais e do contacto direto com as comunidades, este modelo transforma o visitante num participante ativo da experiência. Segundo o Turismo Criativo: Guia para Profissionais, publicação desenvolvida no âmbito do projeto CREATOUR, esta abordagem combina a imersão na cultura local com processos de aprendizagem e criação, tendo como dimensões centrais a participação ativa, a autoexpressão criativa, a aprendizagem, a ligação ao local e o envolvimento da comunidade.
O CREATOUR, “Desenvolver Destinos de Turismo Criativo em Cidades de Pequena Dimensão e em Áreas Rurais”, foi um projeto de investigação-ação multidisciplinar desenvolvido entre 2016 e 2020 e coordenado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UC). O projeto procurou contribuir para o desenvolvimento de práticas de turismo criativo e sustentável em quatro regiões portuguesas: Norte, Centro, Alentejo e Algarve, através de iniciativas-piloto, trabalho colaborativo e criação de redes entre diferentes agentes dos territórios.



Da contemplação à participação
Ao contrário de uma experiência turística centrada sobretudo na observação de monumentos, paisagens ou outros elementos patrimoniais, o turismo criativo privilegia o envolvimento direto dos visitantes. Oficinas de artesanato, gastronomia, artes plásticas, fotografia, artes digitais, artes cénicas, sessões de storytelling e atividades relacionadas com tradições locais são alguns dos exemplos identificados pelo CREATOUR.
A experiência permite, assim, conhecer de forma mais próxima a história, a cultura, as tradições, os costumes, as artes e os ofícios de um destino, utilizando esse contacto como matéria-prima para processos de criação e autoexpressão. O modelo procura estabelecer uma relação mais próxima entre visitantes e comunidades, colocando os recursos locais e as pessoas no centro da experiência turística.
Esta dimensão participativa pode também contribuir para a valorização e revitalização do património cultural material e imaterial, para a diversificação da oferta cultural e turística e para o combate à sazonalidade. O guia destaca ainda o potencial do turismo criativo para estimular práticas colaborativas e de cocriação, promover o envolvimento das comunidades locais e reforçar a ligação entre diferentes agentes dos territórios.
Cultura, território e circulação
É neste cruzamento entre cultura e território que se enquadra a proposta do MATE Festival, dedicado à interseção entre Música, Arte, Tecnologia e Educação. Através da programação artística e profissional, o festival cria oportunidades de encontro entre diferentes comunidades, artistas e agentes culturais, promovendo a circulação de pessoas, ideias e projetos.
Esta dimensão assume particular relevância na relação ibero-americana desenvolvida pelo MATE, que aproxima Portugal, Brasil, Espanha e outros territórios da América Latina através da circulação artística e da cooperação cultural.
A relação entre Coimbra e Porto Alegre, no Brasil, integra este contexto de intercâmbio. Mais do que estabelecer uma ligação entre dois pontos geográficos, a circulação de artistas e projetos permite criar redes de colaboração e partilha de experiências entre diferentes contextos culturais.
Experienciar o território
No turismo criativo, a experiência do território passa pelo contacto com as pessoas que lhe dão identidade. A participação em práticas culturais e criativas permite construir relações mais próximas entre visitantes e comunidades, ao mesmo tempo que valoriza conhecimentos, práticas e recursos específicos de cada lugar.
O próprio CREATOUR destaca a capacidade destas experiências para gerar valor económico, social e cultural a nível local e regional, através de atividades que articulam criatividade, identidade e participação. O projeto aponta ainda para o potencial do turismo criativo na valorização dos setores cultural e criativo, na revitalização do património, na inclusão das comunidades e no desenvolvimento de redes colaborativas.
Para o MATE, esta perspetiva dialoga com uma visão da cultura enquanto espaço de encontro, aprendizagem e participação. Ao articular programação artística, formação e circulação cultural, o festival procura contribuir para que Coimbra seja não apenas um lugar de passagem, mas também um território de criação, encontro e intercâmbio.
O turismo criativo coloca, assim, uma questão central sobre a forma como conhecemos um lugar: mais do que visitar um território, como podemos participar naquilo que o torna único?




Fonte:Turismo Criativo: Guia para Profissionais. Como regenerar comunidades e lugares aliando cultura, turismo e criatividade?, CREATOUR, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
