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A economia que acontece fora do palco

A economia que acontece fora do palco

25 de Agosto, 2026

Estudo sobre o impacto económico da música ao vivo em Espanha evidencia o efeito dos eventos culturais em setores como o turismo, a restauração, os transportes e o comércio. 

Cada euro gasto em bilhetes para concertos e festivais de música gera, em média, 7,20 euros de atividade económica. O valor é uma das principais conclusões do estudo Impacto Económico da Música ao Vivo em Espanha (Edição 2026), elaborado pela Sympathy for the Lawyer (SFTL) e pela Incentiva Music, a partir de dados de bilheteira da Associação de Promotores Musicais (APM) referentes a 2025.

Segundo o estudo, os eventos de música ao vivo movimentaram pelo menos 5.812 milhões de euros na economia espanhola ao longo de 2025. Os resultados mostram que o impacto económico do setor ultrapassa significativamente as receitas geradas nos próprios recintos, envolvendo uma cadeia de atividades que inclui alojamento, restauração, transportes, comércio e serviços.

Um impacto para além da bilheteira

Dos 5.812 milhões de euros identificados pelo estudo, 1.261 milhões correspondem ao impacto direto da atividade dos promotores, associado à venda de bilhetes, patrocínios, consumos nos recintos e direitos de exploração.

O impacto indireto representa a maior parcela, com 3.210 milhões de euros gerados através das atividades e serviços associados à realização dos eventos. A este valor juntam-se 1.341 milhões de euros de impacto induzido, resultantes da circulação dos rendimentos obtidos por artistas, técnicos, profissionais, fornecedores e outros trabalhadores envolvidos na cadeia de produção.

O setor contribui ainda para a receita pública através de diferentes impostos, contribuições e licenças, reforçando a dimensão económica dos eventos culturais para além do seu impacto artístico.

Os dados ajudam a compreender a música ao vivo como parte de um ecossistema que envolve múltiplos agentes e setores. A realização de um festival mobiliza não apenas artistas e equipas de produção, mas também estruturas de alojamento, restauração, transportes, comércio e outros serviços locais.

 

Cultura como dinamização territorial

É neste enquadramento que se insere a 10.ª edição do MATE Festival, que decorrerá em Coimbra, de 24 a 27 de outubro, sob o cruzamento entre Música, Arte, Tecnologia e Educação.

Ao reunir artistas, profissionais da cultura, programadores, curadores e públicos, o festival procura criar espaços de encontro, circulação e participação que ultrapassam o momento dos espetáculos. A presença de diferentes agentes culturais na cidade durante vários dias contribui para uma maior circulação de pessoas e para a utilização de diferentes serviços e estruturas do território.

Para o MATE, pensar a cultura passa também por reconhecer a sua capacidade de criar relações entre criação artística, desenvolvimento profissional e território. Neste sentido, os dados apresentados pelo estudo da SFTL e da Incentiva Music permitem enquadrar uma questão mais ampla: qual é o impacto de um evento cultural na cidade que o recebe?

Embora os valores apresentados tenham como referência o mercado espanhol, o estudo evidencia a dimensão económica que pode estar associada à música ao vivo e reforça a importância de olhar para os festivais enquanto espaços de criação, circulação e encontro, mas também enquanto agentes inseridos nos territórios onde acontecem.

A música, neste contexto, não termina no palco. A sua atividade movimenta pessoas, profissionais, empresas e serviços, criando uma cadeia de valor que se estende pela cidade e contribui para a dinâmica económica e cultural do território.

 

Fonte: Impacto Económico da Música ao Vivo em Espanha (Edição 2026), Sympathy for the Lawyer (SFTL) e Incentiva Music, com dados da Associação de Promotores Musicais (APM), referentes a 2025.